Coimbra

O segredo da beleza melancólica de Coimbra tem a sua origem na forma como combina o seu glorioso passado com a capacidade de se adaptar ao futuro.

Um dos exemplos deste casamento perfeito é a Universidade com os seus fantásticos edifícios e a sua biblioteca, cuja história se mistura com a da própria cidade e a alegria dos estudantes.

Universidade de Coimbra

Universidade de Coimbra

A instituição foi fundada em 1290, sendo a mais antiga e uma das mais distintas do país. Tudo começa quando D. Dinis assina o “Scientiae thesaurus mirabilis”, o documento que origina o Estudo Geral, reconhecido no mesmo ano pelo papa Nicolau IV. Ou seja, apenas um século depois do início da nação portuguesa, a Universidade de Coimbra nascia e começava a formar jovens mentes. A instituição passa depois a funcionar em Lisboa e em 1308 é transferida para Coimbra. Contudo, passariam muitos anos até a Universidade ser definitivamente sedeada naquela que viria a tornar-se a cidade dos estudantes. Sempre a mudar de Lisboa para Coimbra e vice-versa, a instituição só se fixa perto do Mondego em 1537.
Primeiramente localizada no Palácio Real, a Universidade começa a espalhar-se por Coimbra, mudanças que alteram e constroem a história da cidade onde estudaram algumas das mais importantes figuras da arte, ciência ou da política nacional.
Actualmente, os muitos milhares de jovens que vivem em Coimbra durante o ano lectivo emprestam-lhe vitalidade e rituais académicos que não consegue encontrar noutros pontos do país. Mais de sete séculos passados, a Universidade conta com um enorme património e uma história rica e impossível de ignorar. Tão importante que, hoje, a Universidade aguarda que a UNESCO a considere Património Mundial.

A Cabra

É o nome dado ao sino da torre da Universidade de Coimbra, construída entre 1728 e 1733. O marco histórico, que agora já pode ser visitado por dentro, é de estilo barroco, tem 34 metros de altura e não tem elevador. Portanto, se quiser visitá-la, prepare-se para subir quase duas centenas de degraus claustrofóbicos (mais precisamente 180). A recompensa para os mais aventureiros é uma vista sobre a cidade de cortar a respiração. Uma experiência não recomendada a medrosos ou a cardíacos.

Biblioteca Joanina

É um dos pontos de paragem obrigatórios na visita à Alta da cidade e à Universidade. A Biblioteca Joanina, com o seu estilo rococó e magnânimo, deve o seu nome a D. João V, rei de Portugal que a mandou construir no ano de 1717.
Hoje, é uma das mais belas e originais bibliotecas da Europa, reunindo cerca de 70 mil volumes, a maior parte dos quais no andar nobre. Este é mesmo o único dos três pisos do edifício que se encontra aberto ao público. E é também aqui que habitam os inusitados residentes da biblioteca: os morcegos que protegem os livros dos insectos, durante a noite.

Fado

E porque Coimbra é tradição, que começa na história de uma bela princesa apaixonada por um cavaleiro que mata uma cobra gigante como prova de amor, o fado está sempre presente. A tradicional e refinada música de Coimbra, cantada apenas por homens, torna-se uma língua universal quando ecoa pelas paredes dos históricos edifícios da cidade.
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, destino, traduzindo o tradicional sentimento fatalista português. Em Coimbra, a canção está umbilicalmente ligada às tradições académicas da Universidade. Os estudantes ainda hoje o repetem envergando o traje académico, envergando as calças e a batina pretas, cobertas pela capa negra. Canta-se sobretudo de noite, quase na escuridão, pelas praças ou ruas da cidade ou em frente aos monumentos simbólicos da cidade. Já os apaixonados utilizam-no para fazer serenatas às suas damas.